terça-feira, 25 de maio de 2010

Alice in Call Center


.....Perdida, perdida, perdida!. Uma Alice no país das maravilhas, ou melhor, Marina no país da rebeldia. Quero me encontrar urgente, essa vontade incontida de gritar, de amar, de exagerar, de escrever... É preciso muitas de mim para ocupar o pouco de tempo contido em um dia. Mas enquanto eu não me encontro, enquanto não me organizo, enquanto eu vivo de lá pra cá e de cá pra lá, sem conseguir parar num lugar, terei de me contentar com rápidas palavras de justificativas.

domingo, 9 de maio de 2010

É luxo !

......Semana passada comecei a vender o Ourocard Platinum American Express, e não é que o babado é forte mesmo?! Limite alto, totalmente isento de anuidade, sem falar nas incríveis vantagens. Se por um lado é bom trabalhar com um produto de boa aceitação, por outro eu fico imaginando quando, mas quando mesmo - Oh God - minha condição financeira chegará ao nível de me ofertarem um cartão como esse?

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Vida Liquidificada

......Tá, sei que prometi a mim mesma, com todas as palavras sagradas que existem e sob culpa de pagar as piores penitências possíveis, escrever, no mínimo, um texto por semana. Não que eu acredite que alguém irá se desesperar pela falta de atualizações, mas, sim, porque esse blog eu o criei com a expressa função de relacionar minha produção crítica-existêncial à experiência profissional. E isso é básico da sobrevivência nos dias de hoje, principalmente se você trabalha num Call Center ou em qualquer emprego desprivilegiado socialmente. Blá, blá, blás a parte, eu estava naquela fase dôida de desorganização e falta de tempo para cumprir desde as tarefas acadêmicas fundamentais até as atividades básicas de pintar as unhas, comer prestando atenção no sabor dos alimentos e retribuir o "eu te amo" dito pelo namorado, que eu não ouvi porque estava com a cabeça em duas provas e um seminário para apresentar em menos de uma semana.
......
Eu sempre achei que ter uma vida agitada situava num modo de vida positivo. Se você é rico, vivendo de super mesadas, até que sim. Mas quando esse agito equivale à correria infernal de ter que pagar suas próprias contas no final do mês, baby, vida agitada torna-se sinônimo de viver dentro de um liquidificador operando em velocidades distintas e ininterruptas.
......Para se ter ideia, enquanto escrevo esse texto, meus olhos estão ardendo feito pimentas no cio, porque há três dias troquei minha cama linda, fofa e maravilhosa por sofás e cadeiras em rápidos cochilos, na tentativa de auferir o máximo de tempo disponível para o cumprimento de tarefas diárias. E ainda ter que aguentar a colega de trabalho - em virtude dos olhos avermelhados - insistindo em perguntar se eu tenho fumado maconha, tudo isso me faz perceber que sofrer é a alma do negócio. Pelo menos do meu negócio. E é tão categórico, pois sempre me bate aquela sensação de que, para eu conseguir atingir certos objetivos, é preciso passar por uma longa travessia de dor e sofrimento.

terça-feira, 20 de abril de 2010

S.O.S. REBOLATION

......Em Call Center, ou em qualquer outra empresa de segmentos diversos, quando você se destaca por algum motivo profissional a ponto de tal fato se tornar amplamente divulgado entre seus colegas de trabalho, você se torna um alvo. Não só isso, você passa a ser referência de comentários de todos os tipos, elogios, falsos elogios, expectativas, olhares de saudação, de malícia e desconfiança. A pressão sobre você, sobre seus passos futuros, é algo tipo paparazzi. No fundo, no fundo, as pessoas querem provar que você teve apenas sorte. Querem provar que podem fazer melhor que você. E muitas vezes se utilizam da política de boa vizinhança com o objetivo de conhecer melhor o teu jogo sem demonstrar seu verdadeiro intento: te aporrinhar levemente até você se sentir mal.
......Eu não sabia que bater o recorde de vendas de cartão me causaria tão mal. No dia seguinte, os olhares sobre mim se comparavam a holofotes porque todos queriam saber se o meu desempenho seria semelhante. E não foi. Nesse negócio de vendas de cartão por telefone, tem dias que você vende bem, tem dias que você não vende nem um; e isso é plenamente natural. Eu não vendi nada nos dois dias posteriores. E as pessoas faziam de tudo pra jogar isso na minha cara, talvez até inconscientemente, com perguntas, comentários e brincadeirinhas irônicas. Eu me senti mal porque me foi depositado todo um peso de expectativas que ser humano algum podia suportar por muito tempo. E me senti inútil, perdendo meu brilho, tendo que refletir projetos de vida e questionar meu talento profissional. Eu fui incentivada a perder o entusiasmo no exercício cotidiano em função de atingir metas alheias. Eu estava sendo pressionada por todos os lados e até por mim mesma.
......Até que...bem... ouvi o Reboletion! Muitas músicas causam sucesso apenas pelo seu refrão. E o Rebolation do Parangolé é uma espécie de música-refrão que fez, e ainda faz, muita gente delirar. Metaforicamente, no meu entender, Rebolation é um estado de espírito, uma motivação cósmica, um elemento centralizador de vida. É sério. Você não precisa de um significado concreto pra entender que o Rebolation é bom. Você apenas se leva pelo ritmo. Para perceber melhor o que quero dizer ao trazer o Rebolation nessa pauta, tem um conto muito bom da Clarice Lispector chamado Amor, em que uma dona de casa tem um momento de epfania, mudando radicalmente a sua forma de se ver e conceber o mundo, apenas por ter observado um mendigo mastigando chiclete na praça. Eu tive meu momento epfânico, uma revelação transcendental, por assim dizer, ao escutar o Rebolation quando eu estava muito muito triste. Não que a música tenha um certo poder sobre o individuo, mas, sim, que, em certos momentos, nossas emoções estão bastante reviradas e sem orientação que somos propensos a aceitar qualquer estímulo, por menor que seja, em prol da superação de algo que não está nada bem.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Reclamar, Reclamar


......Em tempos de chuva grossa reclamar da vida, do trabalho, do namorado é um tanto egoísta ante às tragédias climáticas nas quais vivenciamos. Mas, se me permite dizer uma coisa, reclamar de tudo, seja em qualquer circunstância, faz parte da sobrevivência humana, independente de chuvas, deslizamentos, maremotos, piranhas assassinas... Precisamos falar, dizer o que nos incomoda. É uma forma de se libertar, se purificar das humilhações diárias, expurgar a intolerância alheia, inscrever nos objetos, no ar, nas coisas, nas raízes de nossa insatisfação. E isso tudo tem a ver com não morrer.
......Eu sou uma lady, não sou do tipo que qualquer coisinha mando a sujeita tomar no cú. Meu instinto de vingança verbal é bem mais acurado que isso; me dá uma caneta e um papel e te mostro minha raiva; me da um computador veloz e a vida fica bem melhor. Eu já disse: o que move o mundo são as frustrações. Num belo dia, a garota Marina finalmente dorme oito horas, acorda achando que o mundo é dela, vai ao trabalho, bate o recorde de vendas de cartão, e para que? Para que olhos gordos e invejosos se juntem num complor, produzindo comentários estúpidos e sem fundamentos sobre os métodos profissionais da garota Marina.

sábado, 10 de abril de 2010

Da representação à autoapresentação


......Quer ver? Busque no google imagem o tema operador de telemarketing e terás dezenas de garotas lindas, ultra sorridentes, comportadas e com ares de felicidade. Há representação mais 0800 que essa? No mínimo quem inventou essa imagem achou que existia um Call Center de boas notícias, do tipo: “Srº Jorge, meu nome é Marina e o Srº ganhou na loteria”. Eu pesquisei, não há Call Center de boas notícias, se tivesse, eu teria sido a primeira a trabalhar num lugar desses, receber elogios, agradecimentos, felicitações é tudo que um operador deseja. Seriamente, uma representação aproximada combina com minha autoapresentação: acordar às 5 da manhã, ir para a faculdade, ir para a central, chegar em casa às 11 da noite e ficar até às 2 da madruga lendo textos para uma prova, nem precisa dizer do cansaço, das olheiras, da cara de sono, da cara de fome, da cara de quem comeu e não gostou, da cara de quero ir pra casa. Isso é a verdadeira classe operária, minha gente, nada dessas besteiras que vemos nas fotos.

terça-feira, 6 de abril de 2010

Cinderella Malhada


......Eu quero falar uma coisa sobre o Fiuk da Malhação, pode ser?
......Eu não o acho bom ator, muito menos bom cantor, além de considerar grande exagero a euforia em torno desse rapaizinho, capiche!?. E penso que até ele concordaria comigo e assinaria em baixo me colocando num pedestal, já que das vezes que o vi em programas de auditório, ele estava com aquela cara de o-que-fiz-pra-merecer-tudo-isso? Verdade!, aquela carinha dele tipo me-colocaram-aqui-de-repente-e-eu-nao-sabia. Parece de família, a Cleo Pirez no começo da carreira também tinha essa cara de ops-acho-que-se-enganaram-mas-não-conte-a-ninguém. Bem, como ator e cantor, talento, talento, o Fiuk ainda não tem, mas em compensação seu nível de Sex appeal é estratosférico, benzadeus. Mas quer saber, pra mim não interessa muito essa coisa de Sex appeal ou capital erótico, até porque, o que adianta achá-lo bonito, maravilhoso, encantador, sorriso lindo, lindo, se ele vive na Globo e eu num Call Center?. Quer distância maior que isso? Quer tortura maior que essa? Quer desespero mais caudoloso para uma garota com sonhos utópicos? Ficar grudada na T.V, esperar que ele apareça nos poucos minutos de Malhação, só para suspirar apaixonada, não dá, não dá mesmo, é autoflagelação involuntária.
......Essa minha vida de Cinderella pós-moderna me mata. E a bruxa madrasta, que é o meu supervisor, me obriga a trabalhar seis horas por dia, sem possibilidade de atrasar minhas pausas. Decretei, portanto, o dia e o momento em que rodarei a baiana naquela central, descendo do salto do profissionalismo e cometendo meu ato mais climático para uma justa causa: o momento em que tiver que vender cartão para o Fiuk e quando ele disser alô, pedi-lo em casamento, e se disser não, ameaço apagar todos seus dados cadastrais, prejudicando toda a sua vidinha de playboy-bebendo-no-sucesso-dos-pais.